quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Depressão

Eu me sento rente ao meio fio. Nem calçada, nem rua. Meio termo de mim mesmo. Carregando uma garrafa qualquer, de uma bebida qualquer. Faz um bom tempo que a qualidade deixou de ser prioridade, na verdade nem tenho mais alguma preferência. Eu fiquei surdo por conta do barulho das asas de um anjo que eu encontrei num beco imundo dia desses, eu lhe paguei um conhaque e conversamos sobre como é triste a vida e sobre as manhãs parecem morrer no olhar dos mendigos. Ele foi um bom companheiro de bar, nunca mais o vi, nem tenho certeza se foi real. Eu encontrei um anjo e eu fiquei surdo pro mundo. Eu ensurdeci por culpa do caos da sociedade, pelos gritos sem necessidade, pelo choro excessivo. Eu ensurdeci porque não vivia. Hoje, nesse meio fio, eu não escuto nem o barulho dos carros ao meu redor, ou sequer o som do meu vomito indo para o chão. Houve um tempo que eu não conseguia escutar nem melodias, palavras cantadas, nem ao menos conseguia decodificar o "próximo" saindo da boca da atendente do super mercado, eu tinha que ser empurrado pelo cara que estava atrás de mim com uma cara de quem já está cansado de viver, as pessoas falavam e falavam e eu só assentia. Eu estou ausente do mundo.
É só silencio aqui dentro, é vazio, é gelado e as vezes molhado por conta da minha angustia que provoca lagrimas. Acho que eu enlouqueci, as vezes eu tenho a sensação de asas batendo perto do meu ouvido, todas as noites eu te escuto gritando meu nome, eu acordo assustado e o escuro engole minha alma.
Eu só queria conseguir escutar novamente, nem que seja o vento nas arvores, ou um passarinho querendo arrumar um companheiro para acasalar. Pra tudo se tem uma metade, algo que completa.
Eu só queria escutar sua voz.
Eu estou ocupado demais desmaiado na calçada de um beco qualquer, acho que estou escutando as asas daquele anjo podre que só observa e nunca faz nada pra algo mudar.

É tão estranho acordar cercado de paredes brancas, alguém no quarto ao lado fica repetindo que ele está vendo alguém mas ele está sozinho no quarto. Ao menos aqui, eu consigo escutar algo.

Ainda não consegui me livrar do seu chamado todas as madrugadas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ele (Você)

Eu me lembro de ser criança e desejar ser grande pra alcançar a barra superior de apoio nos ônibus e agora que meu mundo está repleto de responsabilidades eu seria feliz por poder ser pequenina e passar por de baixo da catraca. Percebi isso dia desses dentro de um daqueles ônibus de viagem infinita e infraestrutura zero. As crianças ficavam sorrindo mesmo aquilo sendo algo ruim. Eu queria poder sorrir nessas ocasiões ou em qualquer outra. Ultimamente eu só sorrio quando a pele dele encosta na minha.
É tão complicado se enxergar em uma  situação que não tem uma escapatória. Eu queria respirar fundo e sentir um alivio no peito ao invés desse peso todo. As vezes parece que eu não vou aguentar esse grito que está engasgado na minha garganta.
Ele faz meu coração se aquietar no meio de uma tempestade tórpida. É como se eu estivesse perdendo o chão e caindo em um abismo como nesses pesadelos sem nexo, e do nada lá está ele sussurrando bom dia. É sempre nesse segundo que o coração congela, o sorriso aparece e sinto o chão formigar a palma do pé. 
Por vezes eu não sei como agir, eu tenho medo de todas essas responsabilidades, desse crescer. Eu só queria poder tomar um pouco de chuva e comer bolo de laranja, sem olhar pra relógio, sem ter tempo pra me preocupar com o tempo. Eu sei que eu preciso ser mais forte que isso, que eu até consigo (ele quem me disse isso), mas parece tudo tão maior do que eu costumo carregar.
Eu queria não ter que levantar da cama no domingo, tava tão gostoso te abraçar e te sentir. Ah, moço, você não consegue imaginar o quanto você é fundamental pra mim, o quanto meus dias se tornam uteis só pelo fato de ser sua.
Eu preciso começar por algum lugar, mas não vejo uma pista sequer de por onde. Eu não consigo desvendar todos esses significados, eu me enforco na minha própria mente. Será que tudo tem que ser tão difícil assim? Bem, eu prefiro ir pra Terra-do-nunca, mas eu tenho medo do capitão gancho, eu não sei o que fazer. (Será que alguém perde seu tempo com todo esse meu drama?)
Nós combinamos, como feijão com arroz, goiabada e queijo, café com leite. Você é a peça mais importante do meu quebra cabeça e foi a mais difícil de ser encontrada. Eu vou te segurar com todas as minhas forças, é por isso que sempre seguro forte sua mão ou te abraço de noite. Você é melhor do que meu ursinho de pelúcia.
Ele é a resposta, ele é o meu caminho
Você é a resposta, você é meu caminho.
Eu o amo.
Eu te amo.