Hoje a depressão veio me visitar e olha meu bem, logo é seu aniversário. Fevereiro 17. O tempo tem passado tão rápido e é incrível ver onde estamos. Eu queria te contar da minha vida, da minha exposição de fotografia na faculdade ou te contar das aulas de teatro que eu dei um tempo atrás. Logo você que sempre disse que não conseguia me ver em nada que não fosse arte. Mas eu me perdi nessa tal vida adulta e cá estou eu, ouvindo as mesmas musicas de 2011, com uma xícara de chá de morango e um maço velho de Marlboro. Ta chovendo lá fora e parece que tudo está igual ao que era antes. Eu queria te contar como eu passei todos esses anos e de tudo que eu senti, mas as vezes eu acho que não sinto mais nada. Eu sei, isso não é justo. Na verdade eu nem deveria te escrever. Não depois de todos esses anos. A merda é que eu tento arrancar isso de mim, apagar seu contato, esquecer o nome da sua avó, esquecer sua data de aniversário, esquecer sua voz, seus livros. Eu juro que eu tento, tem dias que eu nem lembro que você existe, mas tem dias que, puta que pariu. Eu deveria ser mais honesta comigo.
--- "Eu quero mesmo é escrever em você".
Será que você percebeu alguma vez que eu escrevia para você?
É tudo uma grande perda de tempo. O tempo passou e nem nos falamos mais.
Eu sei lá, as vezes eu penso em todas as coisas que eu deixei de lado por medo. Eu deveria ter mais coragem.
Você me desconcerta, me tira do eixo e faz uma bagunça danada nesse meu viver.
"O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida."
Deixa pra lá, é só mais um dia que a depressão vem me lembrar dos fracassos. É mais um dia comum em mim.
Hasta!