quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Verde

Chegou como quem não quer nada, pediu licença e ficou parado ao meu lado na janela vendo as pessoas irem de um lado para o outro. Você olhou para o lado contrario ao meu e eu te olhei pelo canto do olho. Daquele ângulo você parecia ainda mais bonito. O contorno exato pra preencher a minha córnea. Você não me viu olhar, mas menino, eu te confesso que naquele momento eu te quis pela primeira vez, ou talvez tenha sido a primeira vez que eu me dei conta que te queria. Não me pergunte o motivo e nem o que me fez ficar assim tão vidrada, eu ainda não sei a resposta. Talvez eu nem queira mesmo saber a resposta. "Não olha agora não, me deixa ficar aqui mais um pouco te observando." Claro que você iria virar e me pegar te fitando. Aquela foi a segunda vez que eu te quis. Verde. Eu sempre gostei de verde. Naqueles milésimos de segundos antes de desviar o olhar meu coração entrou em frenesi, subiu pela garganta, arranhou meu céu da boca e voltou pro peito. Naqueles milésimos de segundos antes de desviar o olhar eu te beijei inúmeras vezes sem você nem ao menos se dar conta. Me virei. Eu nunca fui boa de sustentar olhares, ainda mais de olhos tão intensos como os seus.
Só pra deixar bem claro, moço, eu te quis muito antes daquela primeira madrugada que você roubou um beijo meu. E pra ser bem sincera, eu te quis antes daquele dia na janela. Não sei ao certo quando que sua vida cruzou com a minha, só sei que foi certo. Talvez a coisa mais certa que tenha me acontecido.

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