Cá estou eu, mais uma vez, como Icarus esperando o nascer do sol. Aguardando o momento exato em que eu perca a consciência, que tudo para de fazer sentido e eu finalmente me entregue para o desconhecido. A insônia me visita todas as noites e depois de dias sem nem pregar o olho, caio em um sono quase tão profundo como de Aurora e lá permaneço.
Como se todas as coisas fossem entrelaçadas hoje colho o resultado das minhas ações, não podemos negar que o futuro é apenas um espelho torto do passado. Se olharmos bem assim, distorcido e distante, talvez eu realmente não merecesse ser feliz, mesmo que embora eu saiba que não tenho culpa da maioria dos problemas, mas meu caro omissão pode ser tão ruim quanto culpa.
As vezes procuro o sentido de tudo, as vezes eu apenas deixo a existência acontecer, como as estrelas nascendo e morrendo. Tudo voltará a ser pó e por mais importante que você pense que você é, daqui centenas de anos, ninguém se lembrará ou você acha mesmo que lembramos quem foi o homem das cavernas mais influente. O esquecimento é inevitável assim como a explosão dos astros. Cá estou eu, observando o sol surgir pela mesma janela de sempre, sem brilho e sem cor. Sem perspectiva de nada. Definitivamente aqui não é meu lugar.
Como Icarus espero por algo tão grande que eu me perca de mim mesma e deixe tudo queimar ou então quem sabe meu sol explodirá bem antes que eu possa chegar perto de conhecê-lo.
Como Icarus, mais uma vez o dia clareou com sono.
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