Eu sou o som de um disparo no vazio.
As vezes sou Nina, as vezes Tiago. Nunca consigo separar a ambição da frustração, minha vida vem sendo uma série de acontecimentos conturbados, situações que me deixam na posição vulnerável de ser Tiago, de ser pessimista e desconfiado, insegura. Meu amor pelo teatro me move e isso me faz ser Nina, me faz ser sonhadora, confiante e feliz. Mas tudo tem um preço. Coisas boas são acompanhadas de coisas ruins. Ninguém nunca é verdadeiramente feliz.
Eis que caio novamente em Tiago.
Parado em seu quarto, analisando a vida como uma série de acontecimentos conturbados, bem como eu em vários momentos. Você por um acaso, já sentiu uma dor tão grande, tão intensa e asfixiante? Não tem como fugir. Você já pensou em acabar com tudo?
Eu já, e fracassei do mesmo modo que Tiago em sua primeira tentativa.
A porta está aberta, se escutam passos.
- Quem está ai? Nina? Você voltou?
Agora é tarde não é mesmo? Você voltou pra mim? Voltou por mim? (Esperança)
-Voltei por mim mesma, pela necessidade de ver como o futuro ficou parado no passado, um amor que não me queima mais, como o som de um disparo no vazio, mas eu precisava te dizer, contar como a gaivota ainda vive, rastejando as vezes, mas sempre em frente. A gaivota sofre, mas no fundo ainda resiste. Meu amor me faz seguir. Em meio a trancos e barrancos, em meio a tropeços e desilusões. Perdi tudo que tinha, até ver que tudo que importa sou eu mesma. Eu sou uma gaivota ferida, mas sou a mais bela de todas no céu. O que faz nós sermos único sempre vai ser o vôo e não o pouso. É triste mas já estou de partida, sei que errei e isso não conserta nada, mas hoje eu estou bem.
-Quero ir contigo
-Perdão, não tenho mais espaço para o passado em minha vida. Adeus.
Hoje eu sou Nina, brincando no vasto céu da vida, subindo e descendo, caindo e levantando mas seguindo. Hoje vejo que mesmo a dor mais intensa uma hora acaba, que a asfixia nos ajuda a perceber o quão importante e bom é o ar.
Hoje sou Nina, mas amanhã ja me é incerto e confesso ter medo; medo de parar de voar.
Buuum
Eu sou o som de um disparo no vazio, por favor, tirem minha mãe daqui.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
domingo, 23 de setembro de 2018
Rutilismo
"É tão bonito te espiar viver" essa frase nunca tinha feito tanto sentido pra mim antes dos meus olhos pousarem em ti.
Dia desses tive certeza que meu coração andava tropeçando em você, que meu estômago havia virado um enorme borboletário, e que eu me encontrava em um caminho sem volta. Tive a certeza enquanto fitava seu peito subir e descer durante as respirações pesadas de sono, o cabelo bagunçado e a barba nem grande e nem rala, a boca que em todo momento quero sentir na minha, eu estava completamente perdida. Parei de te olhar, respirei fundo, como quem toma fôlego pra uma corrida, quase como se o ar viesse acompanhado de uma dose de coragem, respirei fundo e disse a mim mesma "acho que eu me fodi", o caso é que o laranja meio acobreado sempre fez minha pupila dilatar, sempre me foi bonito.
Hoje enquanto dormiamos me permiti te assistir dormir ao menos 5 minutos, e na minha cabeça começa a tocar "calendário", uma música tão minha pra você. Sem querer querendo acho que te chamei de amor, não deu, escapou dos meus lábios num sussuro quase inaudível; naquele momento pareceu tão certo, tão exato e você simplesmente se mexeu na cama e em uma fração de segundos eu estava imersa no teu abraço. Depois disso lembro apenas de acordar sorrindo ao sentir sua mão passear pelo meu corpo.
"Te guardo solto pra se aventurar[...] mas volta pra de dividir, amor, é que você fica tão bem aqui comigo".
Isso tudo parece tão certo, tão exato, como se tivesse que ser assim, que ser agora, porquê talvez, se fosse em outra estação, não seria algo tão nosso.
Dia desses tive certeza que meu coração andava tropeçando em você, que meu estômago havia virado um enorme borboletário, e que eu me encontrava em um caminho sem volta. Tive a certeza enquanto fitava seu peito subir e descer durante as respirações pesadas de sono, o cabelo bagunçado e a barba nem grande e nem rala, a boca que em todo momento quero sentir na minha, eu estava completamente perdida. Parei de te olhar, respirei fundo, como quem toma fôlego pra uma corrida, quase como se o ar viesse acompanhado de uma dose de coragem, respirei fundo e disse a mim mesma "acho que eu me fodi", o caso é que o laranja meio acobreado sempre fez minha pupila dilatar, sempre me foi bonito.
Hoje enquanto dormiamos me permiti te assistir dormir ao menos 5 minutos, e na minha cabeça começa a tocar "calendário", uma música tão minha pra você. Sem querer querendo acho que te chamei de amor, não deu, escapou dos meus lábios num sussuro quase inaudível; naquele momento pareceu tão certo, tão exato e você simplesmente se mexeu na cama e em uma fração de segundos eu estava imersa no teu abraço. Depois disso lembro apenas de acordar sorrindo ao sentir sua mão passear pelo meu corpo.
"Te guardo solto pra se aventurar[...] mas volta pra de dividir, amor, é que você fica tão bem aqui comigo".
Isso tudo parece tão certo, tão exato, como se tivesse que ser assim, que ser agora, porquê talvez, se fosse em outra estação, não seria algo tão nosso.
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