segunda-feira, 22 de agosto de 2011

bolas de neve

Seus problemas eram como pequenas bolas de neve no alto do morro, inclinadas, desejando sempre ir em direção ao vale.
Em um dia que parecia ser mais um, como todos os outros; ela se levantou, olhou no espelho, ainda havia marcas, sinais de que tinha passado a noite em claro, mas ali na frente do espelho ela sentiu que não seria tão normal assim. Sentiu algo novo, algo que não desejava ter sentindo, algo que a coróia por dentro.
Naquela manha o vento chicoteava cada vez mais forte, era uma ventania sem limites, a intensidade dos ventos fazia com que a colina parece algo tão frágil, algo que poderia desabar a qualquer segundo, o som do vento nas pequenas rochas mais pareciam berros estrangulados.
O dia foi passando e aquele anseio de fugir da sociedade se tornava cada vez maior, foi direto para casa na primeira oportunidade que teve. Pegou uma taça de seu vinho mais caro, pensou em como seus planos de vida tinha saído totalmente ao contrario do que se esperar, colocou uma musica para tocar e simplesmente adormeceu.
Parecia que a tempestade já estava se afastando quando um grito estridente ecoou por toda a montanha, e lá no alto, por mais que ninguém notasse, algo irreversível aconteceu, as pequenas bolas realizaram seus desejos, estavam correndo, no começo eram inofensivas, mas à cada volta que dava iam adquirindo mais força, e estavam indo de encontro ao fim, cada vez mais rápido, sem controle, devastando tudo que vinha pela frente. Como imãs, caindo, atraídas para o vazio, e então, chocaram-se, de longe não parecia ser assim tão grave, mas a cada passo que davam era possível ver o estrago daquela noite tão tempestuosa.
Nunca mais houveram noticias de como era a linda e frágil colina que apenas precisava de um pouco de proteção em dias de tempestade mais forte que o normal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário