sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Moço bonito

Meu coração anda apertado, entristeceu, o céu está escuro e me parece que por ai vem chuva.
Eu tenho essa preocupação em mim, preocupação de mãe. Queria cuidar de ti, te proteger, mas na verdade nem sei se você precisa de proteção. Eu só sinto, e isso é algo estranho, já me interpretei errado diversas vezes, mas dessa vez eu sinto que eu poderia fazer algo, por menor que fosse, por isso me coloco a escrever. Essa angustia anda me asfixiando, eu não encontro o motivo. Pensei em te ligar, ouvir tua voz cansada, nem que por apenas um segundo, só pra saber que está tudo bem com você.
Eu sei que as coisas não andam bem, sei também que eu não preciso me preocupar, mas você sabe como eu sou, eu me preocupo. Pensei em ir te visitar, sentar do lado teu e te observar respirar.
Eu sou estranha, e não me entenda errado, eu só queria cuidar de você, te manter perto e te manter seguro. É que eu preciso saber da sua existência, e não é por nada não, eu preciso da sua tranquilidade.
Não se assuste com minhas palavras, apenas dê noticias de vez em quando, e se cuida já que eu não o farei.
Roí minhas unhas, o café esfriou, chove forte agora.

Os dois olhavam em direção ao nada. Ele com sono e ela com vontade de conversar. Ela o espiou pelo canto do olho,e se espantou ao ver dois olhos castanhos a fitando com precisão. Ficaram se encarando durante alguns segundos, até que ela desviou o olhar e irrompeu o silêncio:
 -- Sabe, eu não consigo sustentar um olhar por longo tempo. Devo ter um problema com isso.
 -- Deve ser mesmo.
Continuaram a fitar o nada, trocaram alguns olhares. O silêncio foi bem mais significativo do que as palavras.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Meu jeito de gostar é torto. Não é desses que tanto falam, nem de longe. Meu gostar vem munido de querer, mas não de querer beijar, agarrar, namorar e fazer loucuras por alguém, meu querer é mais além, é um abraço no crepúsculo, um olhar significativo pela manha, um silencio na calada da noite. Meu gostar é torto, é querer a companhia, querer beijar o timbre vocal da pessoa. Meu gostar é sutil, é inocente, é infantil. Ah rapaz, nem tente entender, meu gostar é torto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Às vezes era pra te desenhar sorrindo em câmera lenta. Puta merda. E do fundo dos meus olhos, desculpa se eu olho assim, mas eu só olho. Gosto de ver, me faz sentir estando, me faz perto, é minha maneira de me rabiscar do lado. Então finge que não está me vendo ver. O que te dá forma são os instantes e algo que não podes saber que é você, pois saber-se de si é desconhecer-se. Mas o contorno, dona menina, é livre e exato, desenhado sob medida pra habitar a borda do olhar. Como parecem felizes os livros quando sentam ao teu lado.
-Privacidade






Autor: Felippe Regazio ( @WithCaffeine )

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

As pessoas correm sem lugar algum para ir, de um lado para o outro sem alguma pretensão. Talvez estejam tentando expulsar a angustia de dentro deles. Não sei, eu só queria ficar assim, parada, inerte, analisando. O silencio e a solidão são meus eternos companheiros, e não reclamo, o que tiver de ser meu será.
E se eu te confessar que mesmo por um segundo eu penso em ti quando eu me deito. E as horas parecem eternidades agora. Os dias, as pessoas, as situações, tudo tem se tornado tão passado que eu estou começando a enlouquecer.
 E se eu te confessar que não me canso de repetir o quanto és lindo e o quanto eu queria poder entrelaçar meus dedos por todo eu seu cabelo bagunçado.
 E se você soubesse que eu me escondo pretendendo que você me ache, me procure, que me queira por perto. E que sou tão tímida, envergonhada, que fujo dos teus olhares.
 Teus lábios são tão atraentes, não pelo fato que eu queira beija-los, toca-los, acaricia-los, mordisca-los, mas sim pelo contorno de tuas palavras.
 Tudo em ti me parece tão lindo, que por mim eu ficaria aqui te assistindo viver.
 E se você soubesse do que eu sinto as coisas seriam tão diferentes que é por isso que eu continuo aqui, calada, fechada, apenas observando teu caminhar. Tua presença já me basta. E para falar a verdade, nem eu mesma sei o que eu sinto.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Infinito particular de teus olhos

 Se eu pudesse eu parava o tempo, só pra ficar ao seu lado, quietinha, apenas observando. Enquanto você permanece ai deitado, entre seus devaneios, meus olhos lambem tua pele, lê teus contornos e te absorve em mim.
 E o que eu sinto? Ah, eu não faço a minima ideia, e na verdade não importa; só sei que tua companhia me é bem vinda à todo momento. Você me faz tão bem, mesmo quando não trocamos uma palavra sequer.
E se eu te confessar que em todas as vezes que nos entreolhamos eu desvio o olhar por pura covardia de sustentar seu mundo, por medo de te olhar mais à fundo e me perder no teu ser. E eu te olho, nossa como eu te olho, mas é só para te guardar em mim. É tão lindo que me faz perder o folego, e esse sorriso? Um misto de timidez com tranquilidade; ah, eu poderia habitar nesses seus sorrisos. Eu poderia me sentar ao seu lado e observar o dia virando noite, sem pretensão alguma, sentindo essa tranquilidade toda que passa de ti pra mim. Eu poderia viver nesses segundos em que te observo, não seria nem um pouco cansativo, apenas seria trabalhoso fazer meus olhos se desgrudarem quando eu tiver que voltar pra casa.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ela olhava para todos os lados, atordoada, já não sabia o que fazer, não conseguia esperar. O barulho das sirenes era acelerado, tinha pressa. Ele talvez não consiga voltar.
Ninguém naquela sala ousou dizer alguma coisa, uma senhora, pequena e de cabelos grisalhos estava sentada, aflita e chorando. Cadê meu marido – gritava ela – eu preciso saber se ele está bem. Ninguém a olhava, ninguém dava-lhe respostas, mas ela sentia, fitou-me ou longe.
    Ele não volta não é mesmo? - disse a velha com os olhos cheios d'água.
Encarei o chão, procurando algo que eu pudesse falar, algo pra fazer mas nada me ocorreu.
    Ele volta, talvez demore um pouco, mas ele volta.
Ela deu alguns passos em minha direção, me abraçou como alguém que abraça um poste em meio a tempestade.
    Obrigado por me dar uma resposta pequena.
E ela sorriu, se ele partisse ela não iria precisar esperar por ele, os dois caminharão juntos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tarde de Janeiro

Andava pelas ruas rapidamente, de cabeça baixa seguia. Ninguém a conhecia e por vezes nem ela mesma. Andava sem olhar para os lados, não tinha pressa em chegar a lugar algum, apenas queria fugir dos olhares interrogativos. Não queria dar respostas, na verdade, ela não sabia as respostas então evitava ao máximo as questões.
Foi um dia como os outros, musica alta, olhar fixo no nada, entre devaneios, mas algo incomum chamou sua atenção. Era um pouco mais baixo que ela, apenas alguns centímetros, barba falha, olhos de um castanho escuro que a fez se perder nos pensamentos.
Quem é? O que fez comigo? Perguntas frequentes agora em sua mente solitária. E que raio de borboletas eram essas que a garota sentia voar por entre seu estomago?
Não sabia nada sobre o estranho, mas sentia que precisava conhece-lo. Sentia como se fosse encontrar respostas seja para qual perguntas fossem.
Ele veio devagar, ela deixou ele se aproximar; receosa, pressentiu que viria uma enxurrada de perguntas, mas ele não o fez. Ele deitou na grama, ela o seguiu, ficaram assim por horas, sem nada dizer, apenas contemplando o tempo.
 
 Você está bem? - foi a primeira pergunta que ele fez.

Parou por alguns segundos e embora ainda não tivesse respostas para tudo, essa ela tinha convicção.

 Sim - disse a garota sem vacilar - Agora sim!

E ficaram por lá mais algumas horas. Ela se sentiu tranquila, havia acabado de descobrir tudo o que precisava saber. Aquele era o lugar de onde a pequena garota de olhos cor de mel pertencia.